Produzir mais carne com menos terra: o avanço do confinamento de bovinos no Brasil
O confinamento de bovinos deixou de ser apenas uma alternativa para a terminação de animais e passou a ocupar posição estratégica dentro dos sistemas de produção brasileiros. Um levantamento divulgado pela Scot Consultoria nesta última terça-feira (30/6) mostra que a intensificação da atividade tem sido decisiva para aumentar a produtividade, reduzir a idade de abate e tornar a pecuária nacional mais eficiente, mesmo com a diminuição da área destinada às pastagens.
Os dados evidenciam uma das maiores transformações da bovinocultura de corte nas últimas décadas: produzir mais carne utilizando menos terra. Enquanto a área de pastagens do país atingiu, em 2025, o menor patamar desde 1970, segundo dados do IBGE e estimativas da Scot Consultoria, a produtividade da atividade alcançou o maior nível da série histórica, chegando a 73,2 quilos de carcaça por hectare.
Confinamento de bovinos amplia a produtividade nas fazendas
Durante muitos anos, o aumento da produção de carne bovina esteve diretamente ligado à expansão das áreas de pastagem. Hoje, o cenário é diferente. A busca por eficiência levou os pecuaristas a investir em genética, manejo, nutrição e gestão, permitindo ganhos expressivos de produtividade.
Como resultado desse processo, o peso médio das carcaças passou de 224 quilos, em 1997, para 257,5 quilos em 2025, um crescimento de 14,9%, equivalente a cerca de 2,2 arrobas por animal.
Nesse contexto, o confinamento de bovinos tornou-se peça fundamental na intensificação dos sistemas produtivos, principalmente durante a fase de terminação.
Número de bovinos confinados cresce ano após ano
A evolução da atividade também aparece nos números. Entre 2022 e 2025, o total de bovinos terminados em confinamento aumentou de 6,1 milhões para 9,1 milhões de cabeças. Para 2026, a Scot Consultoria projeta um novo crescimento, chegando a 9,3 milhões de animais.
Além do aumento absoluto, cresce também a participação do confinamento na produção nacional de carne bovina. Em 2011, os animais terminados em cocho representavam 16,7% dos abates brasileiros. Em 2025, essa participação alcançou 21,2%, e a expectativa é que ultrapasse 23% em 2026.
Segundo a Scot Consultoria, esse desempenho demonstra que o confinamento continua ganhando espaço mesmo durante diferentes fases do ciclo pecuário, consolidando-se como uma ferramenta permanente dentro da cadeia produtiva.
Confinamento de bovinos impulsiona eficiência e transforma a pecuária brasileira. FOTO: Arquivo pessoal
Sistema reduz a idade de abate e atende mercados internacionais
Um dos principais benefícios do confinamento de bovinos é a aceleração do ciclo produtivo. Ao concentrar elevados ganhos de peso em um período mais curto, o sistema reduz a idade de abate, aumenta o giro de capital e melhora o aproveitamento das áreas produtivas.
Dados do Confina Brasil mostram que, em 2025, a idade média de saída dos machos confinados foi de 23,5 meses, enquanto as fêmeas foram abatidas, em média, aos 19,9 meses.
Essa característica atende às exigências dos principais mercados compradores da carne bovina brasileira, especialmente a China, que prioriza bovinos abatidos com até 30 meses de idade. Como consequência, cresce a participação de novilhos e novilhas nos abates nacionais.
Estruturas de confinamento ganham novas funções
O levantamento também mostra que o confinamento deixou de ser utilizado exclusivamente para a terminação dos animais.
Atualmente, as estruturas desempenham diferentes funções dentro das propriedades, como reduzir a pressão sobre as pastagens durante o período seco, apoiar sistemas de recria intensiva, preparar matrizes para reprodução, realizar avaliações genéticas e atender operações de pré-embarque destinadas à exportação de bovinos vivos.
Com o Brasil registrando novo recorde na exportação de animais vivos, essas estruturas também passaram a desempenhar papel importante na adaptação dos lotes e no cumprimento das exigências sanitárias dos mercados importadores.
Custo da alimentação favorece sistemas intensivos
Outro fator que reforça a competitividade do confinamento de bovinos é o cenário favorável para os custos de alimentação.
Segundo o Confina Brasil 2025, o milho foi utilizado como principal ingrediente energético por 98,3% dos confinamentos avaliados. Nos principais estados produtores, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo, a relação de troca apresenta uma das melhores condições observadas desde o segundo semestre de 2025.
A expansão da segunda safra de milho aumentou a oferta do insumo e fortaleceu a competitividade dos sistemas intensivos, especialmente nas regiões produtoras de grãos do Centro-Oeste.
Tecnologia fortalece o futuro da pecuária brasileira
Para a Scot Consultoria, a combinação entre avanços tecnológicos, intensificação dos sistemas produtivos, melhoria genética e maior disponibilidade de insumos consolidou o confinamento de bovinos como uma das principais ferramentas da pecuária brasileira.
Mais do que um modelo de terminação, o confinamento passou a integrar estratégias de aumento da produtividade, redução da idade de abate, melhor aproveitamento das áreas de pastagem e fortalecimento da competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional.
A consultoria destaca ainda que diversos indicadores relacionados à evolução do confinamento continuarão sendo acompanhados durante a rota 2026 do Confina Brasil, expedição iniciada em 29 de junho que percorrerá 14 estados brasileiros, acompanhando a evolução dos sistemas intensivos de produção no país.
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