Exportação de couro recua em setembro, mas preços atingem maior nível de 2026
A exportação de couro brasileiro registrou queda em setembro de 2026, mas os preços alcançaram o maior patamar do ano. Segundo dados da Scot Consultoria, o país embarcou 48,3 mil toneladas de peles e couros bovinos, redução de 9,7% em relação a agosto e de 19,9% na comparação com setembro de 2025. Apesar do recuo, o resultado foi o terceiro melhor para o mês desde 2015.
O faturamento também apresentou retração, chegando a US$ 91,3 milhões, queda de 1,8% frente a agosto e de 5,1% na comparação anual. Por outro lado, o preço médio do produto avançou 8,7% no mês e 18,4% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo US$ 1,89 por quilo, a maior cotação de 2026.
A valorização está relacionada principalmente à maior participação de produtos de alto valor agregado nas exportações. Com a redução dos embarques de couro salgado, os couros acabado e crust ampliaram sua representatividade de 8,3% para 9,1% do volume comercializado.
Exportação de couro acumula volume recorde em 2026
Mesmo com o desempenho negativo de setembro, a exportação de couro mantém resultados expressivos no acumulado do ano. Entre janeiro e setembro, o Brasil embarcou 472,5 mil toneladas, crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025 e recorde para o intervalo.
Entretanto, a receita acumulada caiu 3%, totalizando US$ 806,8 milhões, o menor faturamento para os nove primeiros meses do ano desde 2020.
Entre os produtos exportados, o couro wet blue respondeu por 68,2% do volume comercializado e alcançou US$ 1,03 por quilo, sua maior cotação do ano. Já o couro acabado representou apenas 6,9% dos embarques, mas concentrou 44,5% do faturamento, com preço médio de US$ 12,21 por quilo.
A China, incluindo Hong Kong, permaneceu como principal destino, adquirindo 19,4 mil toneladas em setembro. A Itália ocupou a segunda posição em volume, enquanto os Estados Unidos se destacaram pelo valor das compras, movimentando US$ 13,2 milhões, principalmente em couro acabado.
Mercado de couro e perspectivas para a pecuária
O setor também acompanha mudanças importantes no cenário internacional. Em setembro, a União Europeia retirou os couros e peles bovinos das exigências previstas em seu regulamento contra o desmatamento, eliminando obrigações específicas de diligência e georreferenciamento para esses produtos.
Outro movimento foi o acordo entre JBS e Viva Holding para a criação da JBS Viva, empreendimento com capacidade projetada para processar mais de 20 milhões de couros anualmente, em unidades distribuídas por seis países.
Para o pecuarista, as perspectivas do mercado de couro estão diretamente relacionadas ao ritmo de abates bovinos. Conforme a análise da Scot Consultoria, a tendência de retenção de fêmeas no último trimestre pode reduzir a disponibilidade de matéria-prima para a indústria.
Com menos animais abatidos, a oferta de couro tende a diminuir, especialmente nas categorias salgado e wet blue, o que pode contribuir para a sustentação dos preços.
Assim, apesar da retração mensal nas exportações, a valorização do couro reforça a importância do aproveitamento dos subprodutos bovinos e evidencia como os movimentos da indústria também influenciam a dinâmica econômica da cadeia pecuária brasileira.