Exportações para a China sustentam arroba do boi gordo em março, mas analista vê risco de esgotamento de cota no meio do ano
Após queda no início do mês, arroba fecha março em alta na maioria das praças com suporte das exportações
O mercado físico do boi gordo encerrou março com dois movimentos bem distintos. Na primeira quinzena, a eclosão do conflito no Oriente Médio criou dificuldades logísticas e abriu espaço para a indústria frigorífica pressionar os preços da arroba para baixo. Na segunda metade do mês, a virada veio da China: com oferta restrita no Centro-Norte do Brasil, em razão das boas condições das pastagens, o mercado acelerou os embarques para preencher a cota de 1,1 milhão de toneladas destinadas ao país neste ano, o que empurrou as negociações da arroba a novos pontos de máxima em quase todo o território nacional.
A análise é do especialista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado. Segundo ele, a forte demanda exportadora para a China gerou oferta restrita de carne bovina no mercado doméstico, o que também sustentou os preços no atacado ao longo do mês.
No fechamento de 31 de março, o boi gordo na modalidade a prazo era negociado a R$ 360 por arroba em São Paulo, estável frente ao final de fevereiro. Em Goiânia (GO), o valor ficou em R$ 340, também sem variação. Já as principais praças do Centro-Oeste registraram avanços: Uberaba (MG) chegou a R$ 345, alta de 1,47%; Dourados (MS) foi a R$ 350, avanço de 2,94%; Cuiabá (MT) liderou a valorização, com R$ 355, alta de 4,41%; e Vilhena (RO) encerrou a R$ 320, subindo 3,13% na comparação com fevereiro. No mercado atacadista, o quarto dianteiro foi precificado a R$ 21,80 por quilo, alta de 3,81%, enquanto os cortes do traseiro bovino foram cotados a R$ 27,50 por quilo, avanço de 1,85%.
O alerta de Iglesias para os próximos meses, porém, é direto: se o ritmo acelerado de embarques for mantido, a cota chinesa destinada ao Brasil pode se esgotar entre maio e julho. Nesse cenário, as exportações seriam esvaziadas justamente no terceiro trimestre, quando os animais provenientes dos confinamentos chegam ao mercado em maior volume, criando condição para uma forte queda nos preços da arroba.
O foco de febre aftosa detectado na China, com o sorotipo inédito SAT1, é outro ponto monitorado pelo mercado. Para Iglesias, se o caso se mantiver isolado, não deve alterar a dinâmica das exportações. Se a doença se alastrar e comprometer o rebanho bovino chinês de forma mais ampla, porém, a tendência seria a China intensificar ainda mais as importações de proteína bovina, o que reforçaria a demanda pelo produto brasileiro.
No atacado, um ponto de atenção adicional é a competição com proteínas mais acessíveis: a demanda por carne de frango segue aquecida e deve permanecer assim ao longo de todo o ano, favorecendo o consumo de ovos e embutidos por grande parte da população.
Renata Lippi | Canal Rural





