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Índice da USP aponta margens do confinamento até quatro vezes maiores que em 2025 e acende alerta para o custo do diesel

Goiás lidera rentabilidade com spread de quase 30% por arroba; especialista recomenda travar preços no mercado futuro

O confinamento bovino no Brasil entrou em abril de 2026 com um dos melhores momentos de rentabilidade dos últimos anos. É o que aponta o novo relatório do ICBC, o Índice de Custos de Bovinos Confinados, elaborado pela USP e apresentado pelo Dr. Gustavo Sartorello no programa Giro do Boi desta segunda-feira (6). Segundo o levantamento, as margens de lucro no setor chegam a ser quatro vezes superiores às registradas no mesmo período de 2025, quando o ganho era de apenas R$ 16,00 por arroba. O cenário reflete um movimento em que a valorização do boi gordo superou o avanço dos custos de produção, criando ambiente favorável para o alojamento de animais na transição para a seca.

O principal destaque do relatório é o spread entre custo e venda, que atingiu patamares raramente vistos na série histórica do índice. Em São Paulo, com custo de arroba produzida em torno de R$ 263,00 e preço de venda a R$ 350,00, o confinador embolsa R$ 83,00 por arroba, margem de aproximadamente 24%. Goiás lidera o ranking nacional: com custo de R$ 227,00 e venda a R$ 320,00, as margens beiram os 30%.

Apesar do otimismo, Sartorello acendeu um alerta para a pressão inflacionária nos combustíveis. Em março, o diesel subiu 30% em Goiás e 20% em São Paulo, encarecendo o frete do gado magro, a entrega do boi gordo e a distribuição do trato diário nos cochos. Como contraponto positivo, a queda da Taxa Selic para 14,75% reduziu o custo de oportunidade e aliviou o fôlego financeiro dos projetos de confinamento.

Outro ponto levantado pelo especialista é a diferença de eficiência entre operações de diferentes portes. Uma variação de apenas R$ 0,80 nos custos operacionais entre confinamentos grandes e médios pode parecer irrelevante, mas representa um prejuízo de até R$ 90.000,00 por ano em uma operação de tamanho médio sem gestão profissionalizada. A recomendação para o produtor de menor escala é buscar parcerias no modelo de arroba produzida com grandes estruturas.

Com a temporada oficial de confinamento começando em abril, a orientação do ICBC/USP é direta: as margens atuais são excepcionais e incentivam o alojamento, mas é fundamental utilizar ferramentas de mercado futuro para travar esses preços e garantir o lucro que o momento oferece, diante das incertezas logísticas que ainda rondam o setor.

Renata Lippi | Canal Rural

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