Girolando: a melhor pulada de cerca da história
Raça bate recordes em 2025 e responde por mais de 80% do leite produzido no Brasil
O que começou como um acidente biológico tornou-se a descoberta do século para a pecuária leiteira nacional. No programa Giro do Boi desta sexta-feira (13), o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (ABCG), Alexandre Lopes Lacerda, celebrou a trajetória de uma raça que nasceu quando um touro Gir “pulou a cerca” no Vale do Paraíba e cruzou com vacas Holandesas, mudando para sempre o destino da produção leiteira no Brasil.
Hoje, o Girolando é a raça que mais vende sêmen e produz embriões no país, sendo responsável por mais de 80% do leite nacional. Desde a instituição do registro genealógico em 1989, saltou de um cruzamento acidental para uma seleção de elite que acumula recordes mundiais.
Em 2025, a raça atingiu a marca de 114 mil novos registros, entre RGN e RGD, somando quase 2,5 milhões de animais registrados em sua história. No mercado de genética, superou a barreira de 1 milhão de doses de sêmen comercializadas, consolidando-se como a preferida para sistemas tropicais. A evolução produtiva é igualmente expressiva: em duas décadas, a média nacional saltou de 4.000 kg para 7.600 kg de leite por ano, com exemplares de ponta ultrapassando 127 kg de leite em um único dia.
Genética e tecnologia: a parceria com a Embrapa
O aprimoramento do Girolando, que une a resistência do Gir à produtividade do Holandês, conta com o suporte científico da Embrapa Gado de Leite. Atualmente, a raça possui o mapeamento de 34 características genéticas, permitindo que pequenos e médios produtores identifiquem animais eficientes precocemente. Lacerda reforça que o segredo não está em arriscar cruzamentos experimentais, mas em investir em touros provados e testes de progênie para reduzir custos e aumentar a margem por litro.
Beef on Dairy: o descarte que virou renda
Uma tendência que ganha força em 2026 é a estratégia conhecida como Beef on Dairy, que consiste em utilizar parte das vacas do plantel para gerar bezerros de corte. O produtor aplica sêmen sexado de fêmea nas melhores vacas para reposição e sêmen de gado de corte, como Angus, nas demais. O resultado é um bezerro de cruzamento industrial com alto valor de mercado para engorda, transformando o animal de descarte em uma fonte de receita robusta.
Desafios e inclusão social
Apesar do sucesso genético, o setor enfrenta a pressão das importações de leite em pó do Mercosul. A ABCG e outras entidades lideram movimentos para pressionar por leis antidumping. Lacerda destaca ainda o papel social da raça: um aumento de apenas R$ 0,20 no litro de leite injetaria R$ 5 milhões por dia na economia rural brasileira.
O presidente encerrou reforçando o convite para a Megaleite 2026, que acontece de 2 a 6 de junho em Belo Horizonte, e deixou um recado direto ao produtor: substitua animais de baixa eficiência por genética de ponta. “Você reduz o trato e aumenta a renda”, resumiu Lacerda.
Renata Lippi | Canal Rural





