Suplementação Estratégica: como produzir mais carne com menos pasto
Menos pasto, mais tecnologia: veja como a suplementação nutricional virou aliada da rentabilidade no campo
A suplementação nutricional estratégica ganhou protagonismo na pecuária de corte brasileira. Com áreas de pastagem cada vez mais disputadas por culturas como soja, milho, algodão e eucalipto, o desafio do produtor mudou: não se trata mais de ter mais terra, mas de produzir mais carne por hectare.
O diagnóstico é do zootecnista e gerente da Alltech, Carlos Zilioti, que acompanha de perto essa transformação no campo. Para ele, a migração de pastagens para outras atividades agrícolas é uma tendência consolidada, e a resposta está na intensificação do sistema produtivo.
Uma das estratégias apontadas por Zilioti é a integração lavoura-pecuária em áreas com aptidão agrícola. A prática permite produzir forragem de qualidade no inverno ou ampliar a oferta de alimento no período de chuvas, gerando estoque estratégico para a seca na forma de feno ou silagem.
No campo nutricional, tecnologias que combinam microminerais orgânicos e levedura viva têm mostrado resultados expressivos no desempenho dos bovinos a pasto. Estudos indicam que a suplementação bem conduzida pode acelerar o ganho de peso e reduzir a idade de abate de quatro para cerca de dois anos, o que eleva a eficiência produtiva e melhora o retorno econômico da atividade.
Os benefícios, no entanto, vão além da rentabilidade. Zilioti destaca que animais que atingem o peso de abate mais rapidamente permanecem menos tempo no sistema, o que contribui para reduzir, de forma indireta, as emissões de gases de efeito estufa por quilo de carne produzida.
Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) apontam que a área de pastagens no Brasil diminuiu cerca de 11,3% nas últimas duas décadas. No mesmo período, a produtividade por hectare praticamente dobrou, passando de 36,2 kg para 65,8 kg de carcaça bovina por hectare ao ano.
“O uso de aditivos estratégicos dentro dos suplementos, visando otimizar o consumo de forragem e a digestibilidade desse material, é essencial para que essa suplementação tenha sucesso”, conclui o especialista.
Renata Lippi | Canal Rural





