Raça Limousin passa a integrar o Registro Genealógico da ANC
Com presença no Brasil desde o século XIX, raça francesa ganha novo patamar de organização genética no país
A Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC) oficializou a inclusão da raça Limousin em seu registro genealógico. A medida integra a raça ao Herd-Book da entidade, responsável pelo controle de genealogia de diversas raças bovinas no país, ampliando o controle sobre a origem dos animais e fortalecendo a base técnica disponível aos criadores brasileiros.
Os primeiros registros do Herd-Book Collares de Limousin no Brasil datam de 1937. A raça chegou ao país ainda no século XIX e consolidou-se como uma das principais opções para cruzamento industrial na pecuária de corte. Atualmente, o país conta com aproximadamente 10.000 animais puros registrados, e a raça está presente em todos os estados do território nacional.
O potencial zootécnico do Limousin é um de seus principais atrativos. A raça apresenta rendimento de carcaça superior a 65%, com aproximadamente 75% do peso da carcaça composto por músculo, além de baixo teor de gordura, características que a colocam em posição de destaque nos mercados de carne premium. No ganho de peso, o Limousin registra de 1.200 a 1.350 gramas por dia nos bezerros após o desmame.
Para Juliana Souza, superintendente suplente de Registro Genealógico da ANC, a formalização do registro responde a uma demanda crescente do setor.
“Por meio do registro genealógico e do pedigree, é possível rastrear com precisão a origem dos animais. Hoje, isso se torna indispensável, pois o mercado consumidor exige dados técnicos confiáveis e um histórico genético consistente, garantindo maior transparência tanto para quem comercializa quanto para quem adquire os animais”, afirmou, em comunicado.
Segundo a ANC, a organização genealógica tem sido cada vez mais procurada por criadores que buscam maior controle sobre a origem dos rebanhos e acesso a informações genéticas precisas. Para Juliana Souza, o registro também contribui para a estruturação da raça no Brasil e para a ampliação do banco de dados técnicos sobre os animais registrados.
Parceria com a ABL
O presidente da Associação Brasileira de Limousin (ABL), Fabiano Mendes dos Santos, avaliou positivamente a migração para o sistema da ANC. Para ele, a entidade traz uma estrutura consolidada, que inclui experiência em registros e avaliações genéticas, entre elas o Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo).
“A ANC possui um sistema consolidado e avançado, o que torna essa migração muito importante para a ABL. Além disso, haverá um impacto financeiro positivo, pois reduziremos custos operacionais e poderemos investir mais na divulgação da raça”, explicou. Santos também ressaltou a confiança na parceria: “Estamos confiantes de que esse trabalho conjunto trará excelência e contribuirá significativamente para o desenvolvimento da raça Limousin no país.”
Raça com apelo global
O Limousin não é destaque apenas no Brasil. Na Europa, a raça ocupa a posição de número 1 em França, Inglaterra e Itália para produção de carne. Nos Estados Unidos, onde foi introduzida em 1964, representa hoje 20% dos nascimentos por inseminação artificial. No Canadá, 210.000 vacas são inseminadas com a raça, alcançando 18% de todas as inseminações artificiais do país.
A inclusão no Herd-Book da ANC representa, portanto, mais do que uma mudança administrativa: é um passo concreto para que a raça Limousin ocupe, com base técnica sólida, o espaço que seu desempenho produtivo já conquistou nas pistas e nos currais brasileiros.
Renata Lippi | Canal Rural





