Qual o melhor cruzamento de gado leiteiro para produzir um bezerro pesado?

Esta foi uma das questões respondidas pelo zootecnista Guilherme Marquez, gerente nacional de produto leite da central Alta Genetics

Qual o cruzamento ideal para ter um bezerro mais pesado a partir de um rebanho leiteiro? Esta foi uma das questões dentro de uma sessão de perguntas e respostas sobre cruzamentos para gado de leite da qual participou o zootecnista Guilherme Marquez, gerente nacional de produto leite da central Alta Genetics, no Giro do Boi.

Antes de atender os telespectadores, Marquez chamou atenção para a importância da tomada de decisões quando o tema é melhoramento genético na fazenda. “Genética é uma saída (para aumentar a produção de leite). Você entender que a partir de uma vaca que você tem na sua fazenda, as filhas dela podem produzir muito mais que a mãe. É só saber entender a sua vaca, saber o limite dela e buscar na genética um animal melhor. Agora isso leva tempo. Genética não traz resultado de um dia para o outro”, ponderou.

“Por isso que eu falo muito no programa para quem decide usar animais chamados dupla aptidão […] porque essas são decisões que a gente tem por conta de um preço da arroba que subiu, ou de uma tendência de mercado daqui ou dali. Só que na inseminação, a reprodução que a gente está fazendo hoje, o resultado vai ser colhido para a fazenda daqui a no mínimo três anos. Então se você tomou uma decisão hoje sobre a vaca que você vai ordenhar no futuro, você só vai ordená-la daqui 36 meses. […] O pasto você muda, a alimentação você muda, a estrutura você muda… Mas a genética você não muda (rapidamente). Uma vez que você fez, acabou. É aquilo lá que você vai ter”, alertou.

Confira abaixo as perguntas que foram atendidos pelo especialista:

Qual o cruzamento ideal, aquele que mais te agrada, para eu ter um bezerro mais pesado em se tratando de um gado leiteiro? (Fábio Mota, de Francisco Badaró-MG)

Marquez: Eu acredito muito no Guzolando. Eu vejo que na raça Guzolando, principalmente por conta de uma experiência que eu tenho com uma propriedade no Ceará, o macho tem peso muito interessante, mais pesado do que o macho Girolando, por exemplo. Então eu acredito nesse cruzamento de Guzerá com o Holandês.

Tenho vacas leiteiras cruzadas ⅝ Holandês. Qual touro eu devo colocar para produzir mais leite a pasto? (Lucas Rodrigo, de Santo Antônio do Matupi, município entre Apuí e Humaitá, estado do Amazonas)

Marquez: Eu tive o prazer de ir lá no Amazonas e é um lugar muito quente e muito úmido. Isso significa muito estresse térmico. Eu vejo resultado muito positivo no limite de ⅝ de Holandês. ⅝ significa 62,5% de Holandês. Então eu usaria facilmente o touro Girolando mesmo, que é o touro ⅝ Holandês, e manteria essa composição racial de até 62,5% de Holandês para não trazer aquele desgaste para o animal, que vai ter que ser recriado. E é importante considerar isso, o produtor não pode pensar só na vaca no final, você tem que recriar os animais. E recriar um bezerro que não está adaptado é muito difícil.

Tenho interesse em informações do cruzamento da vaca Jersey com touro da raça Normando. As bezerras serão boas de leite e o machos serão mais pesados para corte? (Heron Piassi Pimenta, de Brasília-DF)

Marquez: O Normando é conhecida como a raça do queijo. É uma raça criada na Normandia, nos altos lugares franceses, e a gente já tem esse cruzamento para leite dando muito resultado. Se você pensar só na Jersey, a gente tem uma produção, de acordo com a Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil, de aproximadamente 22,9 litros. Os dados são lá da California, que graças a Deus faz um trabalho muito bacana com os números. E uma produção de gordura e proteína de 1,83%. Quando a gente vê o cruzamento entre Normando e Jersey, essa produção passa para 24,4 litros de média e com sólidos de 1,93%. Agora eu […] não gosto, eu não vejo a solução quando o produtor fala que quer que a fêmea seja uma ótima produtora de leite e que o macho engorde e vá para o abate. Isso não existe no meu conceito de zootecnia. Ou você tem uma habilidade para produção de leite – e produzir leite é quando o animal passa de dez, doze quilos de leite – ou você vai para corte. O Normando é uma raça pesada, mas é uma raça para leite. É uma raça conhecida para a produção de queijo. Então seria ideal ele separar metade do rebanho e colocar o Normando no Jersey e, na outra metade, quem sabe, um Sindi. E aí ele pode até matar os bezerros um pouquinho melhor.

Estou fazendo as experiências indicadas sobre cruzamento para fêmeas leiteiras, usando Senepol, Bonsmara, Caracu, Guzerá e Nelore. Gostaria de saber se o Bonsmara e o Caracu cobrem bem a campo e onde encontraria reprodutores mais próximos do Ceará para viabilizar compra e reduzir gastos com frete. (Erlan Weine, de Jucás-CE)

Marquez: A única raça que pode dar um resultado melhor é a Caracu. Agora Bonsmara é uma união de Afrikaner com Shorthorn, com Hereford. São raças taurinas e de corte. Não tem jeito. Mas é interessante a pergunta dele, as duas raças cobrem bem a campo, de acordo com as suas devidas associações. […] No site da Associação Brasileira dos Criadores de Bonsmara, tem uma seção que mostra os criadores no Brasil inteiro. Você clica nos criadores mais próximos de você. Eu acessei o site, por exemplo, e vi que o mais próximo está na Bahia. No Ceará, não tem. E a ABC Caracu também tem um site onde você vai achar essa parte de associados e encontrar o mais próximo do seu estado.
[…]
Eu conheço bem o Ceará […], eu faço um trabalho com o Guzerá numa grande fazenda e vejo o Guzerá com uma boa opção. O Guzolando de lá dá 28 quilos de lactação por dia de média, fechado, é claro.

Qual a melhor raça de gado leiteiro para se criar no Norte do Brasil? Dá certo criar vaca Jersey, considerando o clima da região, quente e úmido? (Héder Silva do Monte, de Altamira-PA)

Marquez: Jersey é uma raça taurina, então ela é mais exigente. Por mais que ela tenha um porte menor, cascos bons, a Jersey também sofre com esse clima quente que você tem aí. Sem fazer defesa, mas eu acredito muito que a raça brasileira que naturalmente cresceu (para este fim) foi o Girolando. Hoje, 80% do rebanho nacional de produção de leite têm influência do Girolando. Então eu acredito muito que ele se torne mais fácil de você criar e ter o resultado que você quer, que é a reprodução, quer dizer, o animal precisa parir para produzir leite.

Vai dar certo cruzar Pardo-Suíço com Jersey no Nordeste?

Tenho vacas filhas de touro Caracu leiteiro com vacas Nelore dando em média dez a doze litros de leite por dia. Qual touro eu devo usar para melhorar a genética? Tenho outro touro Caracu, mas a vontade é de usar um touro Girolando. (Laudir Paiva e seu filho Vilmar Paiva, da Fazenda Esperança, em Ubaí-MG)

Marquez: O que ele obteve (cruzando Caracu com Nelore) foi um efeito da heterose, em que ele consegue produzir de 20 a 25% a mais do que a média dos filhos. Ele tem uma raça que não é uma raça de leite, que é a Nelore. A Caracu, a mãe, realmente produz mais leite, ela tem esse resultado. Eu acredito que tendo essas duas opções, ele deveria colocar uma raça especializada em leite. Para essa raça especializada em leite, eu poderia sugerir o Holandês, o Gir e o Girolando. Eu acredito que essas três raças poderiam dar um resultado interessante para ele.

Eu tenho uma vaca Jersey que só pariu uma única cria. Depois ela não pegou mais cria. Por quê? (Renato Padilha, de Arroio Grande-RS)

Marquez: Eu acho que o grande serviço que uma vaca de leite precisa fazer é reproduzir em primeiro lugar, já que uma vaca só vai produzir leite se ela se reproduzir. Mesmo havendo esses protocolos de aleitamento, eu sou muito a favor da natureza. Às vezes, o problema pode reprodutivo ou de manejo. Essa vaca, como ela tem uma taxa de mantença que não está sendo cumprida, pode acarretar nisso e ela não chega na produção de hormônio suficiente para reprodução. Mas eu descartaria essa vaca e, se ela estiver gordinha, com o preço da arroba hoje dá para você comprar duas bezerras, por exemplo.

Vou ter um resultado positivo cruzando vacas Jersey com touro Gir? Minha produção é a pasto, com uma média de dez litros em uma ordenha só. (Maurício Salomão, de Ilha Solteira-SP)

Marquez: Vai, sim, ter um resultado positivo. Esse cruzamento a gente chama de Girsey, que é bem conhecido no estado de São Paulo, principalmente por fazer um queijo delicioso, como nós temos em Pardinho-SP. […] Além disso, tem experimentos nas universidades apontando muitos resultados. São animais que produzem muito leite e ainda consiste na mantença da produção de sólidos, o que garante manteiga e queijo.

Gostaria de saber se é aconselhável cruzar vaca Girolando com Simental leiteiro. (Bruno Luiz de Oliveira, de Campinas-SP)

Marquez: É um cruzamento que já acontece também. Você sabe que, nas fazendas, todo mundo quer criar alguma coisa nova e esse cruzamento acontece, mas não é aconselhável. Eu tenho aquele sentimento que vaca Girolando se cruza com touro Girolando. Na vaca Holandês, eu abro o leque para ter o Gir ou o Guzerá. Eu sou mais tradicional nesses cruzamentos porque a gente não pode errar. Quando você toma uma decisão, ela é permanente. (No cruzamento Girolando x Simental) Vão nascer animais de grande porte, animais muito poderosos, muito abertos no seu anterior, com casco muito bom, mas são grandes demais. Eles têm uma demanda de alimentação muito grande. Pode ser não econômico.

Qual touro posso usar nas minhas vacas leiteiras ¾ e ⅞ Holandês para aproveitar as bezerras para leite e os bezerros para o corte? Sindi leiteiro é uma boa opção? (Gilton, de Patos de Minas-MG)

Marquez: O Sindi cumpre um papel muito bacana. É uma raça cuja taxa de mantença do animal é muito pequena, ou seja, tudo que ele come faz ele passar muito rápido para a próxima fase. Para o telespectador entender, o animal come para cumprir a taxa de mantença, depois para crescer, depois para produzir leite, depois para engordar e depois para reproduzir. Então o Sindi passa muito rápido por essa taxa de mantença. Já o Holandês não, ele tem uma taxa de mantença enorme e precisa comer muito para poder se manter. Com esse cruzamento, você vai ter um animal equilibrado. Mas para aproveitar o bezerro, eu insisto ainda em a gente pode usar um Guzerá nessas vacas para você ter um resultado bem interessante, aproveitando as filhas para o leite também.

Gostaria de saber se posso cruzar gado comum leiteiro Jersey com vacas aneloradas. E usando touro Bonsmara, eu teria bezerros pesados para corte? (Alan Ribeiro, de Resende-RJ)

Marquez: É muito difícil. Eu volto a falar como já falei várias vezes, para dividir os seus núcleos. Selecione as suas melhores vacas e use touros melhoradores para leite. Faça um núcleo de leite para manter o seu negócio. E nas piores vacas vamos colocar então um gado de corte. […] Não existe mágica, (no cruzamento) nós somos favorecidos pela heterose. Quando a gente faz os primeiros cruzamentos entre raças distantes geneticamente, existe uma explosão de características e a gente acha que aquilo é o comum, é o normal, mas não é. Então, na minha opinião, faça essa divisão. Divida o seu lote para leite, divida o seu lote que você vai botar gado de corte e pode colocar o Bonsmara, o Nelore, para você fazer um estudo dentro da sua propriedade e identificar o melhor resultado.

Estou iniciando agora nesse ramo da pecuária leiteira, tenho uma propriedade de alqueires e quero produzir 50 litros por dia. Estou disposto a investir e mudar a genética da minha propriedade. Qual melhor caminho seguir? (Gil Rocha, de Ipanema-MG)

Marquez: Nós precisamos planejar, ir na sua área, verificar, criar um planejamento de comida, de instalação e saber onde buscar essa genética para gerar essa produção que você quer.

Reprodução: Giro do Boi

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