Publicado em: 2 de abril de 2019

Por dentro da preparação dos animais para um leilão de elite

Conversamos com as pessoas responsáveis pelo manejo, transporte e imagens para conhecer quais cuidados são necessários para a chegada dos animais até o recinto

No último dia 21 de março, a cidade de São Paulo foi palco da segunda edição do Leilão Sampa, promovido pela HRO Empreendimentos, AF Agropecuária e Nelore Canaã. O Canal Rural esteve presente na Sociedade Hípica Paulista e acompanhou de perto toda a produção do remate.

Mas, além de tudo que é mostrado na televisão, você, alguma vez, já parou para refletir no preparo dos animais antes de um leilão tão importante? Pensando nisso, a nossa equipe conversou com os responsáveis pelo manejo, transporte e imagens para saber quais cautelas são necessárias antes e durante o pregão.

Eder Alves, o Buiu, colaborador da Agropecuária Vila dos Pinheiros, conta que os cuidados vêm desde que os animais de elite são bezerros. Geralmente, ainda com 60 dias, é feita a primeira avaliação para saber quais têm potencial de premiação. Depois, eles são levados para a baia e, conforme vão evoluindo, são levados para a pista.

(Foto: Eduarda Araújo – Buiu e Imperatriz FIV HVP)

“A preparação do leilão é a mesma da pista de julgamento. Damos comida, limpamos e fazemos o toalete, que são os cuidados com a saída do chifre, o olho e a orelha, incluindo a boca e a cauda. Tiramos também os pelinhos dessas regiões e passamos um creme hidratante no chifre”, explica.

Um leilão presencial tem, em média, quatro horas de duração. Contudo, considerando os preparativos e o transporte dos animais, o tempo torna-se muito maior e o risco de aumento de estresse dos bichos também. Para Buiu, a questão é mais simples do que parece. Tratar o animal com respeito desde o início ameniza o desconforto: “O que diminui a agitação e ansiedade é o manejo em casa. O gado precisa ter confiança em você antes de tudo”.

Fotos e vídeos

Muitas vezes, mesmo que o animal esteja presente em pista, algum vídeo pode ser preparado para dar um olhar mais especial ao lote. Nesse caso, é a assessoria que organiza e separa quais serão gravados.

César Augusto Depieri, o Tezeu da Visão Produtora, diz que durante as filmagens há uma preparação, feita por parte do manejo, que providencia todo o toalete. Em seguida, as gravações são iniciadas. “Um leilão virtual, por exemplo, com 50 ou 60 lotes, pode levar de dois a três dias de gravação, fora a edição, que tem a mesma média de tempo. Tudo depende do estado do animal no período”.

Júlio César Depieri, fotógrafo da área, conta que a fotografia segue praticamente a mesma linha. “O criador seleciona os animais e, dentre os escolhidos, ele pinça quais vão demonstrar a qualidade do que será oferecido no leilão. Feito isso, começamos a etapa de cuidados especiais para que o animal fique ainda mais apresentável”.

Na sequência, um profissional da fazenda, geralmente alguém experiente e próximo do animal, é escolhido para acompanhar o bicho. Por fim, o fotógrafo entra em ação, atuando de acordo com as posições que mais valorizam o animal. Finalizada a sessão, o material é enviado para a agência e lá será montado o catálogo.

O transporte

Além dos cuidados no criatório, é preciso estar atento também com o transporte. Anailson Fidelis Costa, funcionário da Sertanejo Transportadora de Gado, responsável pelo embarque e desembarque, diz que o descolamento dos animais para o leilão é feito em caminhões truck ou carretas de um piso, todos devidamente lavados e desinfetados.

(Divulgação/Sertanejo Transportes)

“O assoalho utilizado é de borracha, anti-estresse. No caso de animais mais leves, com menos de 200 kg, colocamos cascas de arroz para que eles não escorreguem durante a viagem”, afirma o colaborador. “Depois desse preparo, embarcamos os bichos, já limpos e com o toalete feito, e levamos para o recinto do leilão”.

O trajeto

No caso de distâncias maiores, algumas paradas podem ser feitas ao longo do percurso, dependendo da rota. Normalmente, a transportadora tem apoio em fazendas no caminho para descansar os animais, hidratá-los e alimentá-los com comida verde, jamais ração. “A comida verde é capim, então o animal digere melhor. A ração, por outro lado, pode empanzinar o bicho e até levar à óbito na viagem”, conta Anailson.

(Divulgação/Sertanejo Transportes)

Já o tempo de rota calculado e chegada no local é feito de acordo com a quilometragem entre uma cidade e outra. “Quando a distância é curta, chegamos um dia antes. Se for mais longa, chegamos com dois ou três dias de antecedência para que os animais se recuperem bem da viagem”.

Logo após, já no destino, o gado é entregue para a leiloeira, que faz a marcação dos lotes com marca d’água. A apresentação dos animais em pista é realizada por um profissional responsável de cada fazenda. A partir daí, tudo conta na hora da valorização do animal: genética, fenótipo, avaliação, produção e premiações. É o reconhecimento do mercado com o trabalho de cada selecionador.

Por fim, acompanhe a nossa agenda de leilões e fique por dentro dos próximos!

Por Eduarda Araújo | Canal Rural