Mulheres ganham destaque nas competições do Cavalo Crioulo e reforçam tradição da raça
Da Marchita ao Freio de Ouro, crescimento da participação feminina mostra que paixão pelo Cavalo Crioulo une gerações e fortalece
A presença feminina nas competições do Cavalo Crioulo cresce a cada ano e reforça a força da tradição nas pistas. Seja nas provas de Freio, Doma ou Marcha, mulheres de diferentes idades e regiões do país têm conquistado espaço e resultados expressivos, sempre impulsionadas por um sentimento em comum: a paixão pelo Cavalo Crioulo.
Um dos exemplos é a ginete Manuela Wolf, atual campeã da Marchita. Montando a égua Já TE Disse de Santa Adélia, ela percorreu os 160 quilômetros da prova em 10 horas, 14 minutos e 15 segundos, superando mais de 60 conjuntos. Para Manuela, as disputas mostram que não há distinção de gênero dentro das pistas.
“Não há espaço para diferenças nas provas do Cavalo Crioulo”, afirma a campeã, destacando que a modalidade proporciona aprendizado, companheirismo e evolução constante entre os competidores.
Entre os novos talentos da modalidade está Victória Rissi, que se tornou a mulher mais jovem a se credenciar para o Freio de Ouro no ciclo profissional. Aos 14 anos, a ginete conquistou o quarto lugar na Credenciadora Aberta de Fêmeas realizada em Caxias do Sul (RS), em dezembro de 2025, montando a égua ZR Macedônia.

Victoria Rossi | Foto de: Fernando Spolavori
Natural de Picada Café (RS), Victória monta desde os dois anos de idade e iniciou nas competições aos sete, no Freio Jovem. Desde então, acumula resultados importantes. Em 2022, venceu a categoria Infantil A em sua primeira Supercopa. Já em 2024, nas provas de Vaquero/Working Cow Horse, categoria Vaquerito, garantiu primeiro e segundo lugares, além de uma quarta colocação.
A jovem destaca o apoio da família como fundamental em sua trajetória no esporte. “Minha família me acompanha e meu pai me ajuda nos treinos. Para as meninas que têm o mesmo sonho que eu, digo para nunca desistirem”, incentiva.
Com a vitória mais recente no Redomão, Victória também se tornou a mulher mais jovem apta a disputar a final da Doma de Ouro deste ano.
Outra história que ganhou destaque é a da pequena ginete Helena Arruda, campeã do Freio Jovem na categoria feminina em novembro do ano passado. Conduzindo o cavalo ZR Isaque — carinhosamente chamado de Black — ela realizou um sonho que havia compartilhado em uma carta publicada nas redes sociais, que rapidamente viralizou.

Helena Arruda | Foto de: Alex Quevedo
Natural de São José (SC), Helena começou a montar ainda no primeiro ano de vida, quando ganhou um pônei de presente. Incentivada pela família, passou a participar das provas da raça aos cinco anos.
Agora, a jovem já traça novos objetivos no esporte, mirando competições como a Supercopa, o Freio Jovem e o tradicional Rodeio Internacional de Caverá, em Santa Catarina. Para o futuro, Helena também já tem planos fora das pistas: “Quando crescer, quero ser veterinária e domadora”, conta.
Para Manuela Wolf, além das conquistas esportivas, as competições proporcionam experiências que vão além do resultado. “As maiores conquistas, com certeza, envolvem o nascimento de novas amizades, além do fortalecimento das antigas relações. E de ter a oportunidade de conhecer e compreender o cavalo, que é um ser espetacular”, conclui.

Manuela Wolf | Foto de: Alice da Rosa
O crescimento da participação feminina reforça não apenas a competitividade nas pistas, mas também a continuidade das tradições que cercam o Cavalo Crioulo, mostrando que a nova geração chega cada vez mais preparada para manter viva a cultura da raça.
Mayara Neves | Canal Rural





