Morre Lito Sarmento, patriarca da Estância São Francisco e ícone do cavalo crioulo brasileiro
Aos 92 anos, Manuel Rossell Sarmento deixa um legado que atravessa gerações e está gravado na história da raça
A comunidade crioulista perdeu nesta terça-feira (17) uma de suas figuras mais queridas e fundamentais. Manuel Rossell Sarmento, o “tio Lito”, faleceu aos 92 anos em Bagé, no Rio Grande do Sul, deixando um vazio imenso em todos que tiveram a honra de conviver com ele e um legado que estará para sempre entrelaçado à história do Cavalo Crioulo no Brasil.
Patriarca da Estância São Francisco, tradicional criatório com mais de nove décadas de história em Bagé, Lito Sarmento carregava nas veias uma ligação que vai além da paixão pela raça. Seu pai, Belisário Sarmento, foi um dos 22 fundadores da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos e o responsável por inserir a raça Crioula no Brasil. Foi na Estância São Francisco que chegou o RP 01, o primeiro exemplar Crioulo registrado no país, um cavalo importado do Uruguai que marcou o início de toda uma cultura.
Herdeiro direto dessa história, Lito não apenas preservou esse legado mas o ampliou. Nos anos 1980, ao lado do amigo Bayard Bretanha Jacques, idealizou uma das provas mais exigentes e respeitadas do Freio de Ouro, a etapa Bayard-Sarmento, que carrega para sempre os nomes de seus criadores e segue sendo disputada até hoje como símbolo da tradição e do rigor que definem a seletiva mais completa da raça.
Jurado emérito da ABCCC e figura de presença constante nas pistas e nos criatórios, Lito foi homenageado pela entidade em 2018, quando teve seu nome gravado na Parede da Fama do Cavalo Crioulo, ao lado do amigo Coronel Bayard. O reconhecimento celebrava uma vida inteira dedicada à raça, à associação e aos valores que fazem do universo crioulista algo único no agronegócio brasileiro.
A ABCCC, em nome de toda sua diretoria, colaboradores, associados e da comunidade crioulista, decretou luto oficial de três dias em homenagem à sua memória. Em nota, a entidade destacou a hospitalidade, o respeito e o amor pela raça que sempre marcaram a figura de “tio Lito”, e a certeza de que sua família, igualmente ligada ao Crioulo, seguirá honrando sua história.
O velório foi realizado na Funerária Padre Germano, em Bagé, com sepultamento às 17h30 desta terça-feira.
Seu legado pasta em cada rebanho, em cada pista e em cada cavalo Crioulo que pisa o chão do Brasil. Obrigado, tio Lito.
Renata Lippi | Canal Rural





