Morre Francisco José de Carvalho Neto, pioneiro que trouxe o Nelore da Índia ao Brasil
Chico passou nove meses na Índia selecionando os animais que formariam a base genética do Nelore no Brasil
Com profundo pesar, comunicamos o falecimento do pecuarista Francisco José de Carvalho Neto, o “Chico Carvalho”, filho mais velho de Rubico Carvalho e herdeiro de uma das mais longevas e importantes tradições da bovinocultura brasileira.
A história de Chico começa muito antes de seu próprio nascimento. Em 1918, seu avô Francisco José de Carvalho, o “Chiquinho”, já havia trazido animais da Índia em importação realizada pelo governo João Pinheiro, lançando as sementes daquilo que se tornaria uma saga familiar de mais de um século dedicada ao Nelore.

Francisco Jose de Carvalho (Chiquinho)

Foi em 1962 que Rubico Carvalho convidou seu tio Veríssimo Costa Jr., o “Nenê Costa”, para fazerem em sociedade aquela que seria a última e principal importação de gado vivo da Índia. Chico foi o escolhido para representar a família nessa missão histórica. Nenê Costa e o filho mais velho de Rubico, Francisco José de Carvalho Neto, ficaram 9 meses na Índia, comprando animais das raças Ongole (Nelore), Gyr (Gir), Kankrej (Guzerá) e Kangayan, além de búfalos Jaffarabad, cabritos, galinhas e plantas.

De Nelore foram compradas 30 vacas e vários machos, onde se destacavam Godhavari, Gonthur, Taj Mahal, Everest, Godar e Nagpur, entre outros. O navio Cora desembarcou o gado na Ilha de Fernando de Noronha no dia 1º de janeiro de 1963. A quarentena na ilha consumiu mais 9 meses, período no qual o rebanho cresceu para 41 fêmeas e 20 machos.
Renomado criador e referência quando se fala em raça Nelore, Chico Carvalho manteve ao longo de toda a vida o mesmo faro aguçado que o fez percorrer aldeias indianas em busca dos melhores espécimes. Além da Fazenda Brumado, em Barretos (SP), também atuou na Fazenda Arroio Sexto, participando de importantes leilões da raça. Em visitas a propriedades parceiras, era reconhecido pela atenção criteriosa aos animais, às tecnologias aplicadas e ao manejo das pastagens, e sua presença era descrita pelos anfitriões como uma verdadeira aula.
Rubico Carvalho faleceu em 18 de julho de 2009, em Barretos, aos 92 anos, deixando seis filhos, todos pecuaristas: Francisco José de Carvalho Neto, José Eduardo Prata Carvalho, Maria Tereza Carvalho Garcia Cid, Maria Elisabete Prata Carvalho, Antônio José Prata Carvalho e José Rubens de Carvalho. Com o falecimento de Chico, a pecuária brasileira perde o último elo vivo que testemunhou e protagonizou pessoalmente aquela epopeia de 1962.
Como sintetizou o historiador Alberto Alves Santiago sobre os homens que foram à Índia naquele ano: “trouxeram para o Brasil o que havia de melhor. Isso teve uma influência extraordinária no melhoramento do Nelore. A boiada que pesava entre 13 e 14 arrobas antes de 1964 passou para 17 e 18 arrobas nos anos 70.”

Chico Carvalho viveu a pecuária com paixão e inteireza, deixando um legado que pulsa em cada rebanho Nelore do Brasil. Nossos mais profundos sentimentos à família Carvalho.
Renata Lippi | Canal Rural





