Guerra no Oriente Médio derruba arroba do boi gordo e frigoríficos recuam das compras
Conflito geopolítico gera incerteza logística e pressiona preços futuros na B3
O mercado físico do boi gordo encerrou a semana em clima de acomodação. Com o agravamento do conflito no Oriente Médio, muitos frigoríficos optaram por se ausentar das negociações para avaliar os possíveis impactos logísticos nas exportações brasileiras de carne. A análise é do consultor Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado.
Para o especialista, o encarecimento do frete marítimo é a consequência mais imediata e visível do conflito, embora o mercado tenha respirado um pouco mais aliviado após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantir que os navios terão tráfego assegurado pelo estreito de Ormuz.
Na B3, os contratos futuros do boi gordo também sofreram expressiva desvalorização ao longo da semana, pressionados pelo ambiente especulativo e pelas incertezas quanto ao escoamento das exportações de carne para os países do Oriente Médio.
No mercado físico, os preços na modalidade a prazo fecharam a sexta-feira (6) da seguinte forma: São Paulo (Capital) a R$ 350 a arroba, queda de 2,78% ante os R$ 360 da semana anterior; Goiás (Goiânia) a R$ 330, recuo de 2,94% frente aos R$ 340; Minas Gerais (Uberaba) a R$ 345, alta de 1,47% sobre os R$ 340 anteriores; Mato Grosso do Sul (Dourados) e Mato Grosso (Cuiabá) estáveis a R$ 340; e Rondônia (Vilhena) a R$ 315, avanço de 1,61% sobre os R$ 310 registrados na semana passada.
No atacado, os preços seguiram acomodados, com leve viés de alta para cortes com osso. A carne bovina, porém, continua perdendo competitividade frente ao frango. O quarto dianteiro segue a R$ 21,00/kg, o traseiro a R$ 27,00/kg e a ponta de agulha a R$ 19,50/kg.
EXPORTAÇÕES DE CARNE BOVINA
O Brasil registrou em fevereiro um dos melhores desempenhos históricos nas exportações de carne bovina. As vendas externas de carne fresca, congelada ou refrigerada totalizaram US$ 1,330 bilhão no mês, em apenas 18 dias úteis, com média diária de US$ 73,9 milhões, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O volume exportado chegou a 235,889 mil toneladas, com média diária de 13,105 mil toneladas e preço médio de US$ 5.640,90 por tonelada.
Na comparação com fevereiro de 2025, os números mostram avanço robusto em todas as frentes: alta de 41,8% no valor médio diário exportado, crescimento de 23,9% na quantidade média diária embarcada e ganho de 14,5% no preço médio da tonelada, uma combinação que evidencia não apenas maior volume, mas também maior valorização do produto brasileiro no mercado externo.
Renata Lippi | Canal Rural





