Couro pelado em bezerros: quatro causas que confundem o produtor e como agir certo
Alopecia e feridas no couro são sinais clínicos de problemas distintos e tratamento sem diagnóstico preciso pode agravar o quadro
Com o sol forte do norte de Mato Grosso, os problemas de pele em bezerros tornaram-se um desafio frequente nas fazendas de cria da região. A médica veterinária Monalisa Camargo é direta: a perda de pelos e as feridas no couro não são a doença em si, mas sinais clínicos de condições distintas que exigem diagnóstico preciso. Tratar sem saber a causa é um dos erros mais comuns do campo, e pode custar caro ao produtor.
Monalisa destaca quatro causas principais que costumam confundir até quem tem experiência na lida com o gado.
A primeira é a fotossensibilização, conhecida como “requeima”, muito comum no final das águas. Ocorre quando o animal ingere fungos como o Pithomyces chartarum, presentes na palhada da braquiária, o que torna a pele sensível ao sol e causa rachaduras, descamação e queda de pele em carne viva.
A segunda causa é a dermatofitose, a popular “tinha”. Trata-se de uma micose cutânea causada por fungos dermatófitos que criam lesões circulares bem delimitadas, com crostas secas e queda de pelo localizada. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com animais infectados e por fômites contaminados, como baias, currais, cochos e ferramentas de manejo.
A terceira é a dermatofilose, que se assemelha visualmente à dermatofitose, mas tem origem bacteriana. Seu agente é a bactéria Dermatophilus congolensis, que penetra na pele e provoca processo inflamatório com acúmulo de exsudato, pelos e fragmentos, formando crostas características. Nos bezerros, essas crostas surgem primeiramente no espelho nasal, avançando para cabeça e pescoço.
A quarta causa é a deficiência mineral, especialmente de zinco. A carência desse mineral resulta na formação de tecido queratinizado da epiderme, tornando a pele mais suscetível a infecções. O problema pode ocorrer de forma concomitante com a dermatofilose, o que complica ainda mais o diagnóstico e exige atenção redobrada do veterinário.
Como tratar corretamente
O protocolo recomendado por Monalisa une cuidados sistêmicos e manejo ambiental. No campo terapêutico, indica-se o uso de antibióticos e anti-inflamatórios para combater infecções secundárias que entram pelas feridas abertas, além de unguentos cicatrizantes e antissépticos como clorexidina ou iodo para hidratar e desinfetar as áreas afetadas.
No diagnóstico, a recomendação é realizar raspado de pele para coleta de material e análise laboratorial, confirmando se o agente é um fungo ou bactéria antes de qualquer aplicação de produto. Nos casos de fotossensibilização confirmada, é necessário remover o lote das áreas com excesso de massa morta de braquiária.
Um alerta importante: bezerros de pelagem clara ou com áreas despigmentadas são os primeiros a manifestar os sinais. Ao perceber descamação inicial, o produtor não deve esperar a pele “abrir” para agir.
O “couro pelado” exige agilidade. O isolamento do animal na sombra logo no primeiro sinal clínico pode salvar sua vida e acelerar a recuperação. Em Mato Grosso, a observação constante do pasto e do estado da pele dos animais jovens continua sendo a melhor ferramenta de prevenção disponível ao criador.
Renata Lippi | Canal Rural





