Boi gordo recupera preços na semana, mas carne bovina segue sem reajuste no atacado
Oferta restrita de animais terminados sustenta a arroba, consumidor de baixa renda migra para proteínas mais baratas
O mercado físico do boi gordo encerrou a semana em recuperação. A oferta mais restrita de animais prontos para abate e as escalas encurtadas nos frigoríficos têm sido os principais fatores de sustentação das cotações nas principais praças pecuárias do país. O ambiente de negócios ainda aponta para a continuidade desse movimento no curtíssimo prazo.
No estado de São Paulo, principal referência nacional para o mercado pecuário, o boi gordo segue cotado em torno de R$ 350 por arroba no prazo. No mercado futuro, negociado na B3, o contrato com vencimento em março de 2026 encerrou o pregão a R$ 344,30 por arroba.
Os preços médios regionais da arroba registrados na semana foram: São Paulo, R$ 348,75; Minas Gerais, R$ 344,41; Mato Grosso, R$ 338,65; Mato Grosso do Sul, R$ 336,02; e Goiás, R$ 334,11.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a restrição de oferta ainda compromete a composição das escalas de abate, que operam entre cinco e seis dias úteis na média nacional. O especialista também aponta que a guerra no Oriente Médio gera instabilidades logísticas, impondo custos mais elevados aos exportadores, embora, por ora, sem ruptura total no fluxo de exportações.
Atacado acomodado, consumidor afastado
Apesar da firmeza no campo, o mercado atacadista segue com preços acomodados. Iglesias destaca que nem mesmo a entrada de salários na economia tem sido suficiente para justificar novos reajustes na carne bovina. Os cortes seguem precificados da seguinte forma: quarto dianteiro a R$ 20,50/kg; quarto traseiro a R$ 27,00/kg; e ponta de agulha a R$ 20,50/kg.
A carne bovina enfrenta maior concorrência com proteínas substitutas, especialmente o frango, que mantém preços mais competitivos ao consumidor final. O analista reforça que o patamar atual de preços já afasta boa parte dos consumidores de menor renda, especialmente famílias com renda entre um e dois salários mínimos, que têm migrado para frango, embutidos e ovos.
Câmbio e exportações
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 1,67%, cotado a R$ 5,2457 para venda. A valorização da moeda norte-americana tende a favorecer as exportações, mas pode elevar os custos de insumos atrelados ao mercado internacional. As exportações de carne bovina seguem em ritmo forte, com impulsionamento da demanda chinesa, fator que ajuda a equilibrar oferta e demanda no setor.
Renata Lippi | Canal Rural





