Rio Grande do Sul realiza primeira exportação de carne com osso ao Chile após novo status sanitário
Operação marca a entrada do estado em um mercado exclusivo para regiões livres de febre aftosa sem vacinação
O Rio Grande do Sul deu um passo histórico para sua pecuária na última sexta-feira (27): realizou a primeira exportação de carne bovina com osso para o Chile. A operação, apresentada em um encontro na embaixada do Brasil em Santiago, ocorre cinco anos após a suspensão da vacinação contra a febre aftosa no estado e representa a entrada do RS em um mercado com exigências sanitárias das mais rigorosas do mundo.
A autorização para exportação de carne com osso é concedida exclusivamente a regiões reconhecidas como livres de febre aftosa sem vacinação. Até então, o Chile já importava carne bovina gaúcha, mas vetava a entrada de produtos com osso por restrições sanitárias. A mudança coloca o Rio Grande do Sul em posição privilegiada: segundo o primeiro vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Gedeão Pereira, a autorização foi concedida exclusivamente ao estado entre os países do Mercosul. “O Chile autorizou apenas o Rio Grande do Sul a exportar carne com osso e miúdos bovinos para o país”, afirmou.
A primeira carga foi enviada pela Minerva Foods, a partir da unidade de Alegrete, segundo o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no Rio Grande do Sul (Sicadergs). Atualmente, três plantas da empresa no estado estão habilitadas para esse tipo de exportação. A expectativa é de que outros frigoríficos obtenham autorização nos próximos meses, incluindo o frigorífico Silva, em Santa Maria.
O horizonte que se abre vai além do Chile. Com o novo status sanitário, o Rio Grande do Sul projeta acessar mercados como Japão, Coreia do Sul, México, Estados Unidos, Filipinas e China para carne com osso, alcançando até 70% dos compradores mundiais. A expectativa é de que haja um acréscimo de até US$ 1,2 bilhão anuais nas exportações gaúchas de proteína animal.
O embaixador do Brasil no Chile, Paulo Pacheco, destacou o papel estratégico do país vizinho nessa expansão. “O Chile possui acordos de livre comércio que alcançam cerca de 80% do PIB mundial”, afirmou, sinalizando que o mercado chileno pode funcionar como plataforma de acesso a outros destinos de alto valor.
Para sustentar o novo status sanitário, o sistema de defesa animal do estado passa por ajustes estruturais. O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa-RS) atualizou critérios e valores de arrecadação com vigência a partir de 1º de abril de 2026, com base na Lei Estadual nº 16.428/25. O objetivo é ampliar a capacidade de resposta a eventuais ocorrências sanitárias e manter as exigências dos mercados internacionais.
A conquista é fruto de um longo processo. A retirada da vacinação representa também uma economia estimada de R$ 214 milhões por ano para os produtores gaúchos, considerando os custos das doses, a logística de distribuição, a mão de obra e a perda de peso dos animais por reação à vacina. Além disso, o novo status tende a elevar entre 25% e 30% o preço pago ao produtor pela carne, tornando a conquista sanitária também uma vitória econômica de longo prazo para toda a cadeia.





