Creep Feeding: A tecnologia que entrega até 45 kg a mais no desmame e prepara o bezerro para a vida toda
Zootecnista explica como a suplementação privativa acelera o ganho de peso, protege o escore corporal e reduz o estresse
Com o mercado valorizado e a comercialização focada no quilo vivo, cada grama a mais no bezerro ao desmame representa dinheiro no bolso do criador. É nesse contexto que o creep feeding ganha força como uma das ferramentas mais rentáveis da fazenda de cria. O zootecnista e especialista em nutrição de ruminantes Vicente Buarque, supervisor técnico da Connan, explica como o sistema consolida o ganho de peso e prepara o animal para um ciclo produtivo de alta performance.
O que é o creep feeding e como funciona
O sistema consiste em uma suplementação alimentar privativa para o bezerro durante a fase de amamentação. Por meio de um cercado projetado com aberturas que permitem apenas a passagem dos animais jovens, eles têm acesso a um cocho exclusivo com ração concentrada. O objetivo não é substituir o leite materno, mas complementar a dieta com proteínas e minerais que o pasto e o leite, isoladamente, já não conseguem suprir após os primeiros meses de vida.
O benefício, porém, vai além do bezerro. Como o animal se sacia no cocho, a exigência nutricional sobre a vaca diminui, o que permite que a fêmea mantenha seu escore corporal, facilitando o retorno ao cio e aumentando o índice de prenhez da fazenda.
O sistema também reduz drasticamente o estresse do desmame: o animal já chega a essa fase adaptado ao consumo de concentrado e com um rúmen mais desenvolvido e colonizado por bactérias benéficas, o que garante uma transição mais suave e produtiva para as fases de recria e engorda.
O impacto econômico: vale o quanto pesa
Em um cenário de preços recordes para a reposição, o investimento no creep feeding apresenta retorno financeiro sólido e de curto prazo. Animais suplementados nesse sistema podem desmamar com 30 a 45 kg a mais do que aqueles criados exclusivamente a pasto, diferença que, no mercado atual, representa ganho direto e imediato para o produtor.
O consumo alvo gira entre 0,5% e 0,7% do peso vivo. Com a arroba do bezerro em alta, o custo da arroba produzida dentro do cercado é significativamente inferior ao valor de mercado, tornando o investimento virtualmente irrecusável. O uso de aditivos e coprodutos modernos, como o DDG de milho, acelera ainda mais a conversão alimentar, transformando o suplemento em carcaça de forma rápida e eficiente.
“É quase impossível ter prejuízo com o creep hoje”, afirma Buarque. “Em 2026, desmamar bezerros de 220 kg ou mais é a garantia de colocar dinheiro no bolso com eficiência técnica.”
Como implantar corretamente
Para que o sistema funcione, a funcionalidade deve superar o luxo na hora de montar a estrutura. O cercado precisa ser seguro, ter cocho coberto para proteger o alimento da chuva e estar posicionado em pontos estratégicos da pastagem.
Março é o mês decisivo para planejar a suplementação dos animais que enfrentarão a seca logo após o desmame. O planejamento nutricional feito agora evita o chamado “efeito sanfona”, a perda de peso no inverno que corrói os ganhos conquistados na fase de cria.
Outro benefício prático e muitas vezes subestimado: a necessidade do vaqueiro de abastecer o cocho e monitorar o consumo diariamente ajuda no processo de amansamento do lote e permite a identificação precoce de eventuais problemas de saúde. A tecnologia trabalha para que o bezerro cresça saudável e a vaca se mantenha produtiva, dois pilares inegociáveis de qualquer fazenda de cria lucrativa.
Renata Lippi | Canal Rural





